Desafios na Gestão de Pessoas em tempos de Pandemia – Sector de fabrico de telhas cerâmicas e acessórios.

Desafios na Gestão de Pessoas em tempos de Pandemia.

Por Drª Cláudia Palhais

Voltando ao tema e desta vez constatando outra realidade num sector muito distinto, conversei e questionei a Drª Cláudia Palhais, Diretora de Recursos Humanos no setor cerâmico há cerca de 17 anos, apresentando uma vasta experiência na área da Gestão de Pessoas neste e noutros setores. 

O maior desafio identificado pela Drª Cláudia foi de facto  “efetuar uma gestão de pessoas que garanta em primeiro lugar, a segurança das pessoas durante a sua atividade laboral e ao mesmo tempo, a manutenção da atividade da empresa, que ao longo deste período nunca abrandou.”

Esta foi a principal preocupação de todas as empresas que conversaram comigo. A preocupação de não passar incerteza e pânico. Este é um ponto fulcral em tempos como este, ou seja é fundamental os colaboradores sentirem que têm uma entidade patronal forte e segura perante tudo o que se passa à sua volta. 

Continuando, “Contudo, posso mencionar que os piores tempos por que passámos foram as 2, 3 semanas a seguir ao dia 18 de março, quando foi decretado estado de emergência, quando foi decretado o 1º estado de emergência, que colocou o país em confinamento geral.

Essas semanas foram as mais  tensas e intensas. Foi preciso tomarmos muitas medidas de atuação em tempo recorde. A legislação saia a toda a hora com novas diretivas.  Cada dia de trabalho tinha um peso equivalente a uma semana. Todos tínhamos receios perante este novo mundo mas era obrigação das Direções transmitir tranquilidade quanto baste, pois já era suficientemente mau o que era transmitido pela comunicação social.

Desta forma, tal como outras entidades, criou algumas formas para assegurar que o tema era tratado de forma imediata e acompanhado de perto todo processo, e assim: “ criou-se internamente um Comité de Contingência Covid 19 composto pelos diretores e responsáveis de cada setor da empresa, onde via presencial, por videoconferência ou whatsapp mantinha o constante contacto para tomarmos as decisões necessárias com a devida concordância de todos. Sentimos que precisávamos de estar unidos para ser mais fácil ultrapassar os constantes obstáculos que se nos apresentavam.

Durante o confinamento geral, e com a maioria das pessoas da área industrial em casa, ou em gozo de férias (efetuado por acordo) ou em teletrabalho, fomos implementando todas as medidas necessárias para preparar o seu regresso.

Assim, quando em finais de Maio e Junho as pessoas da área industrial regressaram ao ativo, todos estavam mais tranquilos e seguros para exercer a sua atividade laboral. Foi necessário efetuar todo um processo de sensibilização para o cumprimento e compreensão perante a implementação de algumas medidas mais incomodativas ou restritivas mas extremamente necessárias. Mas posso adiantar que a posição dos colaboradores foi de compreensão e de cumprimento, nomeadamente das normas da DGS. E é sem dúvida, este tipo de comportamento que permite ter tido até à data 4 casos de infeção, cujo contágio foi no exterior e dentro da empresa não se propagou.

A gestão diária é só mais complicada devido ao aumento de faltas provocado pelos dias de isolamento profilático que alguns colaboradores têm de cumprir, contudo ainda não houve situações dramáticas de por exemplo para um turno.

No nosso caso, acredito que este período serviu para fortalecer a empresa, preparando-a para eventuais imprevistos.”

Com isto e pegando neste caso, este foi não foi o sector mais afetado a nível de vendas ou de baixa de produção, até pelo contrário. O maior desafio foi de facto a adaptação dos locais de trabalho e a gestão psicológica de cada indivíduo.

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Adriana Silva

Sou a Adriana Silva.

Sou Licenciada em Relações Humanas e Comunicação Organizacional e Mestre em Marketing Relacional.

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