Rotatividade na Indústria – Porque estão as pessoas desmotivadas?

Um dos maiores desafios na Gestão de Pessoas é gerir muitas pessoas ao mesmo tempo e conseguir resultados em massa. Por vezes temos apenas uma pessoa dedicada a esta questão e é difícil encontrar estratégias que resultem. Neste artigo falo deste problema e dou algumas dicas.


Este artigo é dedicado, às fábricas, às grandes produções, pois por vezes as maiores empresas acarretam um nível de Gestão de Recursos Humanos em escala onde não se consegue ir ao pormenor, a cada pessoa. Isto gera níveis de rotatividade brutais e uma insatisfação polémica. Mas porquê?

Em Portugal existem diversas indústrias transformadoras, de diferentes setores e eu observo diariamente as dificuldades que existem em gerir pessoas nestes contextos. Primeiro porque falamos de muitas pessoas e depois porque o nosso dia-a-dia tem tantos problemas que acabamos por não dedicar nenhum do nosso tempo ao nosso ativo principal, as pessoas

Porque é que existe rotatividade em massa? Vamos pensar no assunto de uma forma intrínseca e direta, porque este é um assunto que acarreta um preço elevado para o sucesso da empresa. 

Porque nos continuamos a queixar da falta de recursos ou da rotatividade se por vezes o problema está em nós e na nossa forma de gerir essas pessoas?

Fazemos algo para reter os nossos talentos nas fábricas?

Sim porque são talentos, os nossos operadores fabris são talentos únicos que fazem os trabalhos mais difíceis a nível físico, em linhas repetitivas, trabalhos pesados, sujos e em quantidades soberbas, diariamente. São os meus talentos preferidos e sabe porquê? Porque são pessoas com um enorme valor para as empresas, que fazem o trabalho mais duro e mais difícil e por vezes menos valorizado. 

Precisamos valorizar a produção, motivar as pessoas, estar mais próximos delas Não podemos tratar as pessoas com indiferença e em massa. Cada pessoa é única e quanto mais atenção lhe dermos melhor será o seu trabalho e a sua dedicação.

Falemos sobre algumas dicas que considero fundamentais, que podem fazer a diferença neste processo. Estas pessoas sentem-se “sozinhas” e as menos importantes na organização da empresa, por isso peço-lhe a si, que gere uma equipa, que tire um momento do seu dia para visitar a sua produção, para falar com as pessoas, questionar como se sentem. Crie uma rotina neste acompanhamento. Faça-as sentir parte integrante e fundamental da empresa. Elogie, brinque e dê alguma cor ao dia destas pessoas. Pequenos gestos fazem toda a diferença e só o facto de não serem “olhados de cima”  ou à distância e falarem consigo cara-a-cara, quebra barreiras incríveis. Vamos fazer isso?


Crie uma rotina de reuniões individuais ou em grupo, ou seja, colocar as pessoas em discussão natural sobre o que deve ser melhorado. Nestas reuniões pode criar algumas dinâmicas de grupo interessantes e misturar pessoas de várias secções para que haja interação com outras realidades.

Atribua responsabilidades às pessoas. Será bom para a sua gestão e irá incutir nelas um sentido de importância na empresa.

Crie rotação de funções, mude as pessoas de secções para aprenderem algo novo e fazerem algo diferente. 

Faça formações especializadas e convide as pessoas a participar e a tornarem-se melhor e mais qualificadas, mas primeiro explique-lhes isso.

São dicas que podem parecer fáceis mas que admito que levam algum tempo para se implementarem. Tem de existir vontade e dinamismo para que isto resulte. Seja honesto e transparente. Porque se as pessoas não sentirem essa honestidade não vão acreditar nestas ações.

De seguida, e passados uns meses, olhe para trás e veja as diferenças. Vai ver que os níveis de rotatividade vão diminuir. Não espere resultados imediatos, porque toda esta mudança altera a cultura original da empresa. Mas lute para que tudo se torne um hábito presente para as pessoas. 

Cuide das suas pessoas e elas cuidarão da sua empresa.

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Adriana Silva

Sou a Adriana Silva.

Sou Licenciada em Relações Humanas e Comunicação Organizacional e Mestre em Marketing Relacional.

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